06 Mar 2012 |

LICENÇAS DE CARBONO DESCEM 50% EM 2011

2011 foi marcado, em Janeiro, pelo encerramento temporário dos registos europeus de licenças de emissão. Esta decisão da Comissão Europeia foi tomada após o roubo de perto de 3.2 milhões de licenças dos registos da Áustria, República Checa, Grécia e Roménia. Os activos de carbono subiram 5% no mercado spot  ao longo do mês de Fevereiro, mês em que a instabilidade no Norte de África e Médio Oriente levou o preço do Brent e do Gás Natural ao máximo dos últimos três anos, pressionando a subida dos preços da electricidade no centro e norte da Europa.
Em Março o preço das Licenças de Emissão subiu cerca de 11%, em perfeita correlação com a subida dos preços da electricidade na Alemanha (German Baseload). A motivar estas subidas estiveram as intervenções militares na Líbia, o terramoto no Japão e a decisão do governo alemão em suspender a actividade em 9 centrais nucleares.
Estes eventos de excepção, fizeram disparar a procura de activos de carbono, originando no mercado uma tendência claramente positiva, um aumento dos volumes transaccionados e levando os preços a atingir um máximo dos últimos três anos.
Foi no mês de Junho que os preços começaram a resvalar, tendo caído 21%, representando a pior performance deste mercado desde Janeiro de 2009. O agudizar da  crise da dívida nos países periféricos levantou questões de crescimento económico e de produção industrial em toda a UE. As quedas de 5,5% no preço da electricidade na Alemanha, de mais de 7% no crude e de 2,4% no gás resultaram destas preocupações. A apresentação da proposta oficial da nova directiva de eficiência energética da Comissão Europeia que representará, a médio prazo, uma redução substancial das emissões dos estados membros,  o anúncio da Comissão Europeia de que iria transferir 300 milhões de licenças da reserva de novos entrances para o Banco Europeu de Investimento para venda, e que acabou por faze-lo em Dezembro e o anúncio do governo Grego de começar a leiloar licenças de emissão como forma de pagamento da sua dívida soberana confirmaram a queda dos preços.
Em Agosto o preço spot das Licenças de Emissão (EUAs) atingiu o valor mais baixo dos últimos três anos. Esta forte correcção, que afectou a generalidade dos mercados de commodities, acções e dívida, resultou da incerteza criada no início do mês com o difícil acordo entre Democratas e Republicanos para o aumento do limite da dívida Norte-Americana. Este evento coincidiu igualmente com as revisões em baixa do crescimento da Economia Europeia e Norte Americana (possibilidade de nova recessão mundial) e com o alastrar da crise das dívidas soberanas a Itália e Espanha.
Perto do final de Outubro o preço spot das EUAs recuperou, reflectindo o sentimento positivo que se alastrou a todos os mercados depois dos líderes europeus terem feito progressos em relação ao pacote de medidas para a zona euro.
Em Novembro houve uma queda acentuada quando a União Europeia  avançou com os planos para vender 300 milhões de licenças da reserva da UE apesar dos preços estarem abaixo dos 10 euros e praticamente não haver procura. Esta queda acentuou-se quando a Standard & Poor’s colocou em “outlook” negativo 15 países da Zona Euro. Das 17 nações que fazem parte da união monetária, só escaparam o Chipre, que já estava com perspectiva negativa, e a Grécia.
Os preços das EUAs chegaram a mínimos recorde em Dezembro tendo atingido os €6,31 com a desculpa de que os resultados da conferência de Durban, o estabelecimento de um roteiro para que em 2015 exista pela primeira vez um acordo que comprometa todos os países a reduzir as suas emissões de dióxido de carbono para lutar contra as alterações climáticas, foram apenas psicológicos, uma vez que não trouxeram qualquer aumento na procura de licenças. A saída do Canadá do Protocolo de Quioto é também apontada como causa desta queda.
Embora tenha havido uma subida de 20% após a votação do projecto de lei de eficiência energética que irá retirar até 1,4 mil milhões de licenças da terceira fase do Comércio Europeu de licenças de Emissão do mercado de carbono, a partir de 2013, os preços das EUAs desceram logo no dia seguinte.
Os analistas reduziram em mais de 30% as suas previsões de preços para 2012 com as perspectivas de desaceleração da economia global e pela possível persistência de excesso de oferta.

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